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In Leipzig 20 years later

I just found a short video showing the importance of Leipzig in the changes of East Germany in 1989.

It’s a little bit more about the same (who came here before, already has read how the city started the pacific revolution with the so called Montagsdemonstrationen or the Monday Demos). But it is interesting to see how they compared some images from that period with another ones from nowadays.

For more information on the theme, check this post (in Portuguese) and this one (mostly in Portuguese, with photo descriptions in English and German as well).

Olhando para trás

Hier ist der Link für die deutsche Version.

Um aspecto da RDA observado sob o ponto de vista atual, me deixa especialmente curiosa: como os alemães orientais lidam com o fato de que o país de sua infância, literalmente, já não existe mais? Muito do que se aprendeu  naquela época como sendo “certo”, desapareceu com o tempo.

Abaixo as lembranças de Lars dos Santos Drawert que nasceu em uma pequena cidade próxima a Dresden, capital da Saxônia. Ele é o grande responsável pelo fato de eu poder escrever pra vocês diretamente daqui. :-)

Quando o muro caiu em 1989, eu tinha 13 anos e naturalmente não pude entender  muito bem o que acontecia naquele momento.

Eu lembro muito pouco dos acontecimentos concretos daqueles dias. A maior parte do que sei, aprendi nos anos seguintes através de leituras ou de relatos de familiares, amigos e conhecidos. Apesar disso, as emoções fortes e incríveis daqueles meses vivem em mim como grandes animais adormecidos.

Imagens das demonstrações de Segunda-Feira em Leipzig ou da queda do muro em Berlim, surtem exatamente o mesmo efeito poderoso que antes e me tiram o ar de imediato, além de acelerar as batidas do meu coração. Os sentimentos fortes que surgem de repente, quase do nada, só me provam que eu vivi tudo aquilo, só que sob o olhar infantil.

Esses acontecimentos dividem a minha vida em duas partes: o antes e o depois. Não tanto em um sentido lógico ou abstrato, mas sim em um senso diretamente ligado às emoções. O passado – ou seja, a infância – está em uma terra distante que já não existe mais. O  que passou está separado de mim, como se uma cortina semi-transparente,  pintada com imagens revolucionárias, estivesse entre o passado e o presente. Mas no fim das contas, o passado também faz parte da minha vida.

No entanto, algo dos anos na escola socialista permaneceu na memória. Muitas coisas legais, sobretudo as experiências comunitárias, infelizmente ainda estão ligadas ao que sei hoje: que a pureza e a inocência das crianças foram usadas em prol do ensino socialista.

Uma estrutura fundamental semi-militar que chegava até as salas de aula, o que se traduzia em divisão clara de funções (líder de classe, vice-líder, etc.), formação periódica dos grupos em posição de sentido e com uniformes de pioneiros-mirins, medalhas e elogios para os que fossem obedientes e  estudiosos ou repreensão e às vezes até advertências públicas para os que cometessem algum erro. Se contempladas hoje, muitas lembranças de fato bonitas e multifacetadas dos tempos de escola, têm um sabor amargo estranho.

O tempo depois da queda do muro também foi uma experiência marcante. De repente, os cartazes da propaganda socialista desapareceram das paredes destruídas dos edifícios e foram, pouco a pouco, substituídos por publicidade de carros ou máquinas de barbear.

Em matérias como estudos sociais, por exemplo, as perspectivas mudaram dentro de pouco tempo. O que ainda era válido, de pronto passou a ser inválido. O ruim virou bom e vice-versa. De repente passou-se a olhar para a História sob um ponto de vista completamente distinto.

Em parte, os novos enfoques foram transmitidos durante alguns meses pelos mesmos professores, os quais haviam ditado  um texto a respeito do triunfo do Socialismo sobre o Capitalismo um pouco antes  da mudança de rumos no país – tudo meio estranho para uma pessoa tão jovem.  Nessa fase, provavelmente muitas pessoas devem ter vivenciado o que significa relatividade ou também qual a diferença entre realidade e interpretação.

Um pouco mais tarde, bares improvisados foram erguidos em muitos lugares. Bandas, galerias ou revistas pequenas foram criadas. Em todos os lugares se podia notar  movimento, florescimento de ideias, alegria de viver e otimismo. A sensação de efetivamente ser alguém e poder mudar alguma coisa foi compartilhada pela maioria, assim como entre nós, jovens estudantes.

Juntos, criamos grupos de interesses comuns, fundamos um jornal escolar crítico e xingamos os carrões da  Mercedes.  A memória da energia desse tempo logo após a mudança, sobrevive em mim como uma saudade. Algumas desilusões, o entendimento da nova realidade e o difícil processo de integração que vieram depois, foram talvez tão dolorosos, porque os contrastes entre as emoções diversas (prisão, libertação, esperança e algumas decepções) eram muito fortes.

O que ficou em mim foi uma saudade crônica dos primeiros anos depois de 1989, uma saudade dessa energia e da inocência maravilhosa da juventude.  Em paralelo a algumas dificuldades no “novo país”, ficou também em mim uma  profunda gratidão a todos aqueles que tornaram possível essa mudança radical.

Onde eu estaria hoje se a transição não tivesse ocorrido ou quem eu poderia ter me tornado naquela ditadura socialista, eu realmente nem quero saber.

Günter Schabowski

Versão em português mais abaixo.

Beside Gorbachev, another man who helped (without knowing) the fall of the Berlin Wall was Günter Schabowski. In the famous press conference in the evening of 9th November 1989, he announced that everybody could make trips immediatelly. In fact, the plans were for the next day and with some burocracy.

Here is the video of the Press Conference. At the end, someone asks: “from when is it valid?”. He answers a little insecure: “Immediatelly”. In German.

From that point on, nobody could control the people who ran to the border regions. Specially in the Bornholmerstrasse, the first place where the Berlin Wall fell. I repost the video which shows this emotional moment. In German with English subtitles.

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Além de Gorbachev, outro homem que ajudou a derrubar o muro de Berlim (sem saber) foi Günter Schabowski (link em inglês). Na famosa coletiva para a imprensa na noite de 09 de Novembro de 1989, ele anunciou que todos poderiam fazer viagens “a partir de agora”. Na realidade, os planos eram para o próximo dia e com certas burocracias.

O primeiro vídeo lá em cima mostra Schabowski na coletiva. Ao final alguém pergunta: “a partir de quando isso é válido?”. Ele responde um tanto inseguro: “Imediatamente”. Vídeo em alemão.

A partir desse momento, ninguém pôde controlar as pessoas que correram em disparada para as regiões de fronteira. Especialmente na Bornholmerstrasse, o primeiro lugar onde o muro de Berlim ruiu. Já tinha colocado aqui no blogue o segundo vídeo que aparece lá em cima, mas esse momento é tão forte e emocionante que merece ser visto novamente. Em alemão com legendas em inglês.

Revelações de Bial

Assim que comecei a fazer esse blog em meados de setembro, quis escrever sobre minhas lembranças infantis relacionadas ao episódio da queda do muro de Berlim.

Relatei AQUI NESSE POST sobre a imagem até hoje guardada nos recôncavos da minha memória. Mas estou atordoada ao descobrir por um testemunho do próprio, que ele NÃO esteve fazendo uma matéria direto do muro de Berlim naquele histórico 9 de novembro de 89.

De quem estou falando? De Pedro Bial, ora. Agora seja sincero e confesse: você também achou que ele esteve no muro, não?

Pois bem, todos deliramos coletivamente porque o Sr. Bial atesta veementemente: não estava sequer na Alemanha quando o paredão desmoronou. Duvida? Então olha aqui o depoimento dele no especial sobre os 20 anos da queda do muro de Berlim do jornal O Globo.

A festa das velas

The photos below have explanations in English. / Die Fotos unten haben Erklärungen auf Deutsch.

Preparei a blogagem compulsiva ontem e depois saí para compartilhar com todo mundo de Leipzig, a emoção de celebrar os 20 anos da Revolução Pacífica. Andar pelas ruas do Centro foi quase um desafio, já que centenas e centenas de pessoas se deslocavam pelos diversos pontos da cidade onde a memória daquele período se fazia presente em instalações, sons, fotos e projeções.

Na estação Central, nas paradas de ônibus, nas ruas ecoavam sons daquele outono em 1989. Era como se as vozes de protesto e os discursos da Revolução Pacífica quisessem sair do passado e viajar para o futuro, o nosso presente. Leipzig estava envolvida pela atmosfera de 20 anos atrás. Com a diferença de que a cidade não vive mais em uma ditadura. Mesmo nos momentos em que o nó ancorou na garganta, foi bom perceber que a democracia venceu e se alguma lágrima insistiu em escorrer pelo rosto, foi de imensa alegria.

Para quem não acompanhou a blogagem compulsiva que fiz ontem, entenda o porquê disso tudo aqui no primeiro post feito às 18h. O post das 19h está aqui, o das 20h aqui, o das 21h aqui, o das 22h aqui, o das 23h aqui e o último, da meia-noite aqui. Peço desculpas por ter reduzido o tamanho das fotos.

Abaixo a sequência de algumas fotos que fiz na noite de 09 de outubro de 2009 no centro de Leipzig. Divirtam-se e comentem!

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Foto tirada às pressas para capturar esse momento único. / Photo made in hurry to capture this unique moment. / Das Foto ist in Eile gemacht, um diesen außergewöhnlichen Moment festzuhalten.

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A força dos protestos relembrada em projeções. / The power of the mass demonstrations is remembered in film projections. / Die Kraft der Demonstrationen ist in den Filmprojektionen festgehalten.

velas_Nikolaikirche

Velas perto da Igreja de São Nicolau no dia do aniversário de 20 anos da Revolução Pacífica. / Candles beside the St. Nicholas' Church (Leipzig) on the day of the 20 years anniversary of the Peaceful Revolution. / Kerzen neben der Nikolaikirche am 20. Jahrestag der Friedlichen Revolution.

09_okt_89

A data histórica relembrada nos arredores da Igreja de São Nicolau. / The historical date around the St. Nicholas' Church. / Das historische Datum neben der Nikolaikirche.

lua_2

A lua também marcou presença nas comemorações. / The moon was also present on the celebrations. / Der Mond war auch dabei.

lua

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Um mar de velas com pessoas por todos os lados. / A see of candles surrounded by people. / Ein Meer aus Kerzen umgeben von Leuten.

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velas

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Um mar de velas com pessoas por todos os lados. / A see of candles surrounded by people. / Ein Meer aus Kerzen umgeben von Leuten.

No chão as velas cobriam a palavra "Leipzig 89" e no edifício, a data também foi lembrada. / On the floor the candles covered the word "Leipzig 89" and on the building, the date was also remembered. / Auf den Boden die Kerzen sind im Wort "Leipzig 89" und das MDR-Gebäude hat sich auch an das Datum erinnert.

No chão as velas cobriam a palavra "Leipzig 89" e o edifício também lembrou da data. / On the floor the candles covered the word "Leipzig 89" and the building also remembered the date. / Aus den Kerzen am Boden ergibt sich das Wort "Leipzig 89", und das MDR-Gebäude hat sich auch an das Datum erinnert.

Projeções pela cidade: de um lado policiais da STASI prendem um homem. Do outro lado os protestos de 1989. / Film projections in the city: in one side the policemen of STASI arrest a man. In the other side, the mass demonstrations in 1989. / Filmprojektionen in der Stadt: auf

Projeções pela cidade: de um lado policiais da STASI prendem um homem. Do outro lado os protestos de 1989. / Film projections in the city: in one side the policemen of STASI arrest a man. In the other side, the mass demonstrations in 1989. / Filmprojektionen in der Stadt: auf der einen Seite verhaftet die Stasi einen Mann. Auf der anderen Seite sieht man die Demonstrationen 1989.

Nós somos o povo. / We are the people.

Nós somos o povo. / We are the folk/people.

Voltaire e a liberdade de expressão

voltaire

Post da meia-noite: Poucas frases resumem tão bem o respeito à liberdade de expressão como essa atribuída a Voltaire, também lembrada hoje nas ruas de Leipzig:

“Posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo.”

Chegou agora? Então ler isso vai ajudar você a ficar situado.

Encerro aqui a blogagem compulsiva lembrando os 20 anos da Revolução Pacífica ocorrida em Leipzig. Nos próximos dias, mais novidades no Memórias do Muro. Valeu!

Postais da memória

Post das 23h: No Centro de Leipzig, hoje, pessoas se amontoavam para pegar postais gratuitos com fotos de momentos importantes da História alemã recente: a Revolução Pacífica, queda do muro de Berlim, fatos ou pessoas que marcaram o fim da Alemanha Oriental.

postais

Chegou agora? Então ler isso vai ajudar você a ficar situado.

Polícia para quem (não) precisa

Post das 22h: Hoje, a Polícia está nas ruas para garantir a segurança das pessoas e não para reprimi-las. Muito diferente de 20 anos atrás.

polícia

Chegou agora? Então ler isso vai ajudar você a ficar situado.

Gewandhaus

Post das 21h: A Gewandhaus, um salão de concertos de Leipzig, também se enfeitou para as celebrações dos 20 anos da Revolução Pacífica.

gewandhaus

Chegou agora? Então ler isso vai ajudar você a ficar situado.

Coluna da democracia

Post das 20h: As pessoas escreviam seus pedidos em colunas nas ruas de Leipzig. A maioria clamava por democracia.

Pedidos e pensamentos pela democracia, em Leipzig.

Pedidos e pensamentos pela democracia, em Leipzig.

Representação da coluna atualmente: hoje os pedidos são por paz

Representação da coluna atualmente: hoje os pedidos relembram a Revolução Pacífica e clamam por paz.

Chegou agora? Então ler isso vai ajudar você a ficar situado.

Leipzig, Herbst ’89

Herbst ’89 ou Outono de 1989: Hoje Leipzig (Lípsia em português) acordou em festa. A cidade é responsável pelas chamadas “Demonstrações de Segunda-Feira”, que agilizaram o processo de derrocada da então Alemanha Oriental.

A Revolução Pacífica iniciada em Leipzig levou à queda do muro de Berlim. Leia aqui o post que fiz há alguns dias. Lá explico um pouco o papel dessa cidade da Saxônia na onda de transformações ocorridas na RDA.

Para mim, é muito intenso estar aqui e ver a memória sendo transformada em História. Para quem só aprendeu sobre a queda do muro de Berlim na decoreba dos livros escolares, é difícil visualizar e compreender a dimensão do que foi viver sitiado durante décadas, num país com utopias demais e liberdades de menos.

Eu não vivi na RDA, mas tenho uma ligação forte com pessoas que viveram no “país de faz-de-conta”. E gosto muito de ouvir os relatos de fatos daquela época. Se brincar, só nessas conversas que tive (e tenho), há base para uns mil posts!

Atualmente, morando em território da antiga Alemanha Oriental, é muito interessante perceber o quanto a História, assim com letra maiúscula, ainda é algo presente nas vidas de muitas pessoas. Uma coisa que me impressiona, é o fato de ainda haver gente saudosista, dizendo que naquela época tudo eram flores.

Mas, ainda bem que a grande maioria está feliz com as mudanças ocorridas em 1989 e celebra com orgulho, os 20 anos da Revolução Pacífica. Se milhares de pessoas não tivessem ido às ruas protestar naquela época, eu certamente não poderia estar aqui e tirar as fotos que fiz hoje.

O Memórias do Muro não iria ficar de fora  desse momento histórico e para comemorar, a partir de agora – 18h na Alemanha (13h no Brasil)- vou publicar um post a cada hora até a meia-noite (19h no Brasil). Não vou gastar muitas palavras. Hoje o dia será de imagens. Divirtam-se e comentem!!

Inaugurando, vamos ao post das 18h com uma foto que tirei do símbolo dos 20 anos da Revolução Pacífica.

20 anos da Revolução Pacífica iniciada em Leipzig.

20 anos da Revolução Pacífica iniciada em Leipzig.

Episódio de refugiados na Embaixada Alemã em Praga completa 20 anos

Nos noticiários alemães hoje, reinou a notícia sobre a memória de um episódio dramático, com final feliz para milhares de pessoas da DDR, em português RDA (República Democrática Alemã), mais conhecida como Alemanha Oriental.

Segundo foi lembrado hoje, há 20 anos muitas pessoas da RDA foram passar férias em Praga, na ex-Tchecoslováquia e aproveitaram para pedir asilo na Embaixada da outra Alemanha, a República Federal Alemã (RFA).

Embaixada Alemã em Praga, 1989. Fonte: picture-alliance/dpa/Kemmether

Embaixada Alemã em Praga, 1989. Fonte: picture-alliance/dpa/Kemmether

Em junho de 1989, as pessoas acampadas por lá chegavam a pouco mais de 100. Em setembro de 1989, alguns milhares de cidadãos da Alemanha Oriental, esperavam por uma resposta do então ministro das Relações Exteriores da RFA, Hans-Dietrich Genscher.

Na noite de 30 de setembro de 1989, ele anuncia pessoalmente aos esperançosos acampados na Embaixada Alemã, que todos finalmente podem viajar para o Oeste. Mas com uma condição: a pedido do Governo da Alemanha Oriental, o trem teria que passar por Dresden para que as pessoas pudessem ser registradas e houvesse um controle de quem iria deixar o país.

Mas com essa o Governo ditatorial não contava: ao saber que o trem de partida para o tão sonhado Oeste iria passar pelo território da Alemanha Oriental, muitas pessoas se aglomeraram em Dresden para tentar se jogar no trem e fugir de última hora para a Alemanha Ocidental. Houve  tumulto e confronto com a polícia.

Fazer com que o trem saísse de Praga e entrasse em território próprio, foi uma última tentativa desesperada de controle, vinda de um regime já em decadência.

Não é preciso entender alemão para ver esse vídeo curtinho aí embaixo. É emocionante ver as pessoas gritando de alegria na hora que o embaixador anuncia que elas, finalmente, podem ir para o Oeste.

As manifestações de segunda-feira em Leipzig

Muito se fala do Muro de Berlim e da sua queda, que representou simbolicamente a derrocada do sistema socialista na então Alemanha Oriental – e também em todo o bloco da União Soviética.

Mas ninguém chegou no muro e o fez “cair” do nada. Há todo um processo por trás disso que poucas pessoas conhecem. Hoje, uma segunda-feira, vou contar a estória de outras segundas-feiras que levaram a essa mudança.

Manifestação de segunda-feira em Leipzig, 1989. Foto: LTM

Manifestação de segunda-feira em Leipzig, 1989. Foto: LTM

Em uma cidade da Saxônia chamada Leipzig (em português Lípsia) foi onde começou a chamada Revolução Pacífica. A partir do dia 04 de setembro de 1989, os cidadãos passaram a se reunir no centro da cidade, nas proximidades da Igreja  protestante Nicolau, para clamar por mais direitos civis.

Sob vários motes, incluindo “nós somos o povo”, toda segunda-feira as pessoas iam às ruas pedir, entre outras coisas, mais liberdade de expressão, mais liberdade no direito de ir e vir e sobretudo, o fim da dominação do partido SEDSozialistische Einheitspartei Deutschlands – ou Partido Socialista Unitário da Alemanha.

Centenas e centenas de pessoas se aglomeravam às 17h para os protestos. O horário era estratégico: ninguém precisava ‘furar’ no trabalho. Além disso, lojas do centro ainda estavam abertas. Isso significava certa proteção aos que se juntavam aos protestos e diminuía um pouco os riscos de estarem sós na região. Afinal, mais cedo ou mais tarde, a STASI (polícia secreta da RDA) estaria por perto para tentar coibir o avanço dos revoltados, agindo com violência na maioria dos casos.

De segunda a segunda, o número de pessoas aumentava e mais cidades se juntavam ao coro da Revolução Pacífica. O horário da reunião facilitava também que órgãos de imprensa do oeste alemão dessem a notícia ainda no mesmo dia. Porém, todo o material gravado em Leipzig era transportado ilegalmente para o Oeste, já que à época essa cidade da RDA não permitia o trabalho de jornalistas vindos do “outro lado do muro”.

montagsdemo

Protestos em Leipzig, 1989. Foto: AP photo/Arquivo

O ponto alto das chamadas “manifestações  de O ponto alto das chamadas “manifestações  de segunda – Montagsdemonstrationen – em Leipzig, ocorreu no dia 09 de outubro de 1989, quando cerca de 70 mil pessoas, entre elas seis personalidades do lugar, se juntaram ao coro dos insatisfeitos.

Atualmente, a população de Lípsia se orgulha de ter liderado um movimento político de oposição ao regime, que teve eco durante todo o ano de 1989. A Revolução Pacífica ganhou força no outono daquele ano e abriu os olhos da capital Berlim para os problemas da sociedade da RDA.

No dia 09 de novembro de 1989, as fronteiras entre Berlim Ocidental e Oriental, enfim, foram abertas. E os protestos continuaram. Mas isso já é um outro post.

Clique aqui para ir a outro post feito depois relacionado a esse mesmo tema (com fotos). Abaixo, a notícia exibida em um canal de TV do Oeste alemão no dia 04 de outubro de 1989 (em alemão). Momentos tensos até 2’04″.

Tiago de Aragão no Mosaico de Memórias

Tiago de Aragão mandou a sua memória pra cá e aqui vai ela:

Muro de Berlim e Pedro Bial. Ou seria: Pedro Bial e o Muro de Berlim. Seis aninhos.

As imagens que remonto dali se limitam a alguns flashs visuais (sim, eu acredito que existam outros flashes sensoriais). Mas sempre foi assim. Pedro Bial, postado em frente ao muro. Bela entonação de voz. Eu tinha outra imagem dele antes do BBB. Não que eu já não o encarasse como um fanfarrão. Foi a primeira notícia que recebi que parecia impactar o mundo.

A morte de Chacrinha eu também lembro, mas essa parecia impactar menos o cenário internacional (ou seja lá como eu chamava isso aos seis anos). Dali, 1989, minha outra memória televisiva foi o gol de Caniggia (passe de Maradona) que desclassificaria o Brasil da copa de 90. Ah, nesse momento eu tava na rua. Mas é curioso, me lembro perfeitamente, como se tivesse visto ao vivo.

Será que eu vi o Bial e o Muro de Berlim ao vivo? Será que eu vi mesmo em 1989? Peças pregadas por uma edição deslinear da memória.

Sarina Sena e os fragmentos do muro de Berlim

Eu já confidenciei aqui há alguns dias, que a queda do muro de Berlim e Pedro Bial estão absolutamente entrelaçados na minha memória infantil.  Curiosa que sou, gostaria muito de saber como  esse episódio está guardado nas lembranças de outras pessoas.

A jornalista, produtora de moda e minha amiga Sarina Sena, do blog Fashion Again, foi uma das primeiras a me incentivar e a comentar aqui. E-mail vai, e-mail vem, ela me confidenciou fragmentos de uma estória que achei bem interessante. Daí pedi que ela escrevesse um pouco mais sobre o tema e o resultado está aí embaixo, inaugurando aqui uma seção exclusiva chamada Mosaico de Memórias.

E você, o que lembra do episódio da queda do muro de Berlim? Onde estava e como se sentiu com a notícia? Mande um e-mail ou deixe a sua estória nos comentários que eu a publicarei aqui. Comentários não assinados serão desconsiderados.

Fragmentos do muro de Berlim Por Sarina Sena

Sarina Sena, jornalista e produtora de moda.

Sarina Sena, jornalista e produtora de moda.

Ver pela TV a queda do muro de Berlim foi algo que ficou gravado em minha memória. Eu era criança ainda, tinha nove anos, mas este fato está na mesma categoria da memória que guarda outros fatos históricos vistos pela telinha da TV, como a morte de Tancredo Neves, o estudante se jogando na frente do tanque na China e a explosão das Torres Gêmeas.

A imagem da alegria daquelas pessoas com marretas ajudando a destruir aquele muro que representou anos de privações, principalmente da liberdade, foi algo inesquecível. Em meio às matérias, sempre passavam umas entrevistas com pessoas que ficaram com as famílias divididas, assim como Berlim, por causa do muro. Ficava imaginando o fim da agonia daqueles que passaram tanto tempo incomunicáveis.

Nesta época, meu pai tinha uma locadora de vídeo. Com uma certa frequência, recebíamos a visita de representantes de distribuidoras de filmes com os seus catálogos, que eram, na verdade, pastas no estilo daquelas que a gente colecionava papel de carta com o impresso da capa e da sinopse de cada filme que estaria na locadora cerca de um mês depois de feito o pedido.

Pois bem, algo como um ano após a queda do muro de Berlim, um desses representantes tinha em seu catálogo um filme sobre este momento histórico que trazia (acreditem!) fragmentos do muro para quem alugasse a fita levar para casa como souvenir. Isso mesmo: alugue o filme e leve um pedaço de muro grátis!

Pena que não lembro nem o nome do filme e nem de qual distribuidora pertencia, mas lembro bem de ter achado um tanto absurdo aquela história e de ter duvidado da veracidade daqueles “fragmentos do muro de Berlim”.