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Berlin-Stettin

English version below.

“O documentarista Volker Koepp construiu uma carreira na Alemanha Oriental comunista, documentando os muitos operários de fábricas no país. Agora que a Alemanha celebra duas décadas de sua reunificação, o seu novo filme mostra como esses trabalhadores se adaptaram à vida no capitalismo.”

Esse é um fragmento de uma reportagem no site Spiegel Online (em inglês). Lá também se pode encontrar uma galeria de fotos relacionadas ao filme chamada “Uma Viagem de volta ao Leste da Alemanha“.

O trailer lá embaixo está somente em alemão, mas vale a pena assisti-lo mesmo se você não domina o idioma.

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“Documentary filmmaker Volker Koepp made a career in communist East Germany out of documenting the lot of factory workers in the country. Now, with Germany celebrating two decades since reunification, his new film shows how those workers have adapted to life in capitalism.”

This is a fragment of a report in Spiegel Online. There you’ll also find a nice  photo gallery called “A Trip Back to Germany’s East“.

The trailer below is only in German, but it’s worth watching it, even if you don’t speak the language.

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Berlin 456189

Eu gosto desse vídeo e quero compartilhar com vocês. Às vezes a música é incômoda – assim como as imagens. Tente imaginar as circunstâncias nesses diferentes anos. Essa colagem nos transporta para lá.

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I like this video and I want to share it with you. The music is sometimes annoying – as the images themselves. Try to imagine the circumstances in those different years. This collage brings us there.

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Memória em Fotos – III

Note: If you click in the photos, you’ll go to the direct link of them.

Se você passou por aqui antes, já deve ter visto umas fotos incríveis tiradas na RDA. Vamos ver mais algumas imagens bacanas de JM van Elk? Dica: se clicar na foto, chegará ao link direto com as explicações do próprio fotógrafo.

East Berlin some days before the fall of the wall.

Karl Max Alle em Berlim Oriental alguns dias antes da queda do muro.

Aglomeração na Alexanderplatz, Berlim Oriental, no maior protesto realizado na RDA alguns dias antes da queda do muro.

Potsdamerplatz e o muro em 1989.

Em 1990, um agradecimento camarada a Gorbachev.

Bandeiras da RDA sendo vendidas como meros souvenirs em 1990.

Trabant no bairro de Kreuzberg (Berlim) depois da queda do muro.

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Se você chegou no Memórias do Muro agora, aqui estão o primeiro e o segundo posts com outras imagens bem interessantes. E para quem não sabe a importância de um Trabant na RDA, recomendo a leitura desse post.

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Artistas e o registro de uma época

Registros de uma época em "Behauptung des Raums". Foto: divulgação

Há uma semana, assisti a um documentário interessante que me mostrou uma face da contracultura na RDA, ainda desconhecida pra mim. Behauptung des Raums do diretor Claus Löser (co-direção de Jakobine Motz), mostra jovens artistas que queriam produzir sua arte de maneira independente dentro da ditadura socialista da Alemanha Oriental.

Até aí, nada de muito novo. Porém, o forte do filme é a compilação de um rico material de arquivo que nos transporta à atmosfera de inquietude artística em plena RDA. Com a potência trazida por registros subjetivos, o filme é antes de tudo, um documento de uma época.

O próprio título já mostra em que caminho vai o filme. A tradução seria algo como “afirmação do espaço”. A mensagem central fica clara até mesmo para alguém como eu ou você, estrangeiros se aventurando pela História alheia: artistas criam espaços (físicos e ideológicos) para expor sua arte. Cavam um lugar que lhes é de direito. Apesar das dificuldades. E até usam as proibições  do Estado como mola propulsora para suas criações.

Costurado com depoimentos atuais e imagens em super-8 ou VHS coletadas na RDA, o documentário nos mostra como vários artistas de Berlim Oriental, Leipzig e Karlmaxstadt (hoje Chemnitz) se reuniram, produziram sua arte e se posicionaram contra o establishment. Havia sempre alguém registrando as exposições, performances e discursos, sem saber que isso no futuro renderia uma reflexão sobre aquele país que já não mais existe.

Artistas da RDA a pleno vapor. Foto: divulgação

Logo de cara, me chamou a atenção que os personagens fossem praticamente só homens. Tá, teve uma mulher que relatou a sua experiência, mas convenhamos que 10 minutos em um filme que dura 80, não é lá uma grande representação.

Por sorte, fui a uma sessão com a presença dos realizadores e após o filme, houve um pequeno debate. O diretor justificou a pouca presença feminina dizendo que muitas artistas da época não documentaram suas ações em foto ou vídeo. Além do que, ele já tinha contato com os artistas que aparecem no filme e colocar mulheres que não tivessem a ver com esse movimento só para ter mais representação feminina, não lhe pareceu uma boa ideia.

Saí do debate bastante irritada porque a moça que deveria ser mediadora entre diretores e público, quis ser provocadora (nada contra) e começou a questionar de maneira bem arrogante, que tipo de informação concreta o filme deixaria para as futuras gerações que não vivenciaram a RDA. Resposta do diretor: o objetivo do filme não é ser didático. Se alguém precisar de informações históricas, vai encontrar vasto material específico sobre essa época em diversas outras fontes.

Concordo com isso. A maneira espontânea com que os materias de arquivo foram gravados não é informativa, mas provoca emoções em quem assiste e transporta a plateia intuitivamente para aquela época. Independente se o espectador é PhD em História da Alemanha Oriental ou se não sabe nada sobre o assunto. Filmes também são feitos para suscitar emoções e não apenas para informar.

Apesar de o tema ser interessante, confesso que ao invés de 80, o documentário poderia ter apenas uns 60 minutos. Teria dado o recado sem cansar. Mas isso não chega a comprometer a minha avaliação final. Gostei muito de ter viajado no tempo com a  História sendo contada e documentada por quem a viveu.

Infelizmente ainda não há um trailer online.

Memória em Fotos – II

Note: If you click in the photos you’ll go to the direct link of them.

Como havia falado no post anterior, aqui vão mais algumas fotos do flickr de JM van Elk. Se clicar nas fotos, você vai direto pro link específico com as explicações do próprio autor (em inglês).

Portão de Brandemburgo visto do ponto de vista de quem estava na Berlim Oriental. 1988

Portão de Brandemburgo visto do ponto de vista de quem estava na Berlim Ocidental. 1988

Posto de controle de fronteira Checkpoint Charlie em 1989.

Os destroços do Checkpoint Charlie após a queda do muro em 1990.

Post relacionados: aqui e aqui.

Memória em fotos

Eu adoro imagens. Acho que elas podem traduzir situações muito melhor do que palavras bonitas e bem encadeadas (tese já difundida naquele dito popular “uma imagem vale mais que mil palavras”).

Fazendo minhas pesquisas corriqueiras, me deparo com uma preciosidade, uma relíquia de verdade. Assim, facilmente ao meu alcance no flickr. Imediatamente comentei e parabenizei o autor das imagens e pedi para usar algumas delas aqui.

Felizmente ele me autorizou e nos próximos dias os leitores do Memórias do Muro vão poder ver e sentir um pouco da Berlim dividida, do país comunista acinzentado e dos momentos corriqueiros tão bem guardados em belas imagens!

As fotos são de Berlim Ocidental e Berlim Oriental no período entre 1988 e 1990. Clicando nelas, você poderá ir direto ao link correspondente no flickr de JM van Elk.

Carimbos da RDA no passaporte / GDR Stamps in the passport.

Carimbos da RDA no passaporte. / GDR Stamps in the passport.

Criança passando pelo muro da Berlim Oriental para a Berlim Ocidental em 1990. / A kid stepping from East to West Berlin in 1990.

Praça Lênin, Berlim Oriental, 1989. / Leninplatz, East Berlin.

O Leste encontra o Oeste. Berlim Oriental, 1988. East meets West. East Berlin.

Post relacionados: aqui e aqui.

Blicke rückwärts

Clique aqui para ir direto a esse post em português.

Eine Sache der DDR-Zeiten macht mich neugierig: wie kann man heutezutag mit der Tatsache umgehen, dass das Land seiner Kindheit nicht mehr existiert? Vieles, was man als “richtig” gelernt hat,  ist mit der Zeit verschwunden.

Jetzt die Erinnerungen von Lars dos Santos Drawert, der bei Dresden geboren ist. Er ist  auch der grosse Verantwortliche, dass ich euch von hier schreiben kann. :-)

Als 1989 die Mauer fiel war ich gerade mal 13 Jahre alt und verstand natürlich noch nicht so recht, was da gerade passierte.

An die konkreten Ereignisse in diesen Tagen erinnere ich mich kaum. Das Meiste habe ich erst in den Jahren danach von meiner Familie, von Freunden und Bekannten erfahren oder habe es nachgelesen. Trotzdem wohnen die unglaublich starken Emotionen dieser Monate in mir wie große schlafende Tiere. Bilder von den Montagsdemonstrationen in Leipzig oder dem Mauerfall in Berlin wirken nachwievor so stark auf mich, dass mir unmittelbar die Luft wegbleibt und mein Puls in die Höhe schnellt. Die starken Gefühle, die dann so plötzlich wie aus dem Nichts hochkommen, beweisen mir dann, dass ich das alles, wenn auch aus einer kindlichen Perspektive heraus, erlebt habe.

Dieses Ereignis teilt mein Leben in zwei Teile: dem Vorher und dem Nachher. Nicht so sehr im logischen oder abstrakten Sinn, sondern ganz unmittelbar im eigenen Empfinden. Die Vergangenheit, die Kindheit liegt in einem fernen Land, daß nicht mehr existiert. Sie ist wie durch einen halbdurchsichtigen, mit Revolutionsbildern bemalten Vorhang abgetrennt und doch, natürlich, gehört sie zu mir.

Aus den Jahren in der sozialistischen Schule ist dennoch einiges im Gedächtnis geblieben. Viele schöne, vor allem gemeinschaftliche Erfahrungen sind aber leider immer wieder gekoppelt mit dem Wissen, dass die Unschuld und Naivität der Kinder für die sozialistische Erziehung benutzt wurde. Eine halbmilitärische Grundstruktur bis in die Schulklassen hinein hat es ebenso gegeben wie das Verteilen von Funktionen (Gruppenratsvorsitzender, Stellvertreter etc.), regelmässige Appelle in Formation und Pionieruniform, Medaillen und Lob bei fleissigem und gehorsamen Lernen oder Tadel und teilweise sogar öffentliches Bloßstellen bei Fehlverhalten. Von heute aus betrachtet haben daher viele Erinnerungen an die eigentlich schöne und sehr vielseitige Schulzeit einen ziemlich bitteren Beigeschmack.

Die Zeit nach dem Mauerfall war eine ebenso prägende Erfahrung. Plötzlich verschwanden die sozialistischen Werbeplakate von den kaputten Hauswänden und wurden nach und nach durch Produktwerbung von Autos oder Rasierapparaten ersetzt. In Schulfächern wie z.B. Gesellschaftskunde änderten sich innerhalb kürzester Zeit die Vorzeichen. Was eben noch gültig war, wurde plötzlich ungültig. Aus schlecht wurde gut und umgekehrt. Auf die Geschichte schaute man plötzlich aus einer völlig anderen Richtung. Zum Teil wurden sogar die neuen Sichtweisen noch einige Monate von den selben Lehrern vermittelt, die mir kurz zuvor noch einen Text vom Sieg des Sozialismus über den Kapitalismus diktiert hatten – schon merkwürdig für einen jungen Menschen. In dieser Phase haben wahrscheinlich viele erfahren was Relativität bedeutet oder auch was der Unterschied ist zwischen Wirklichkeit und Interpretation.

Etwas später schossen vielerorts improvisierte Bars aus dem Boden. Es gründeten sich Bands, Galerien oder kleine Magazine. Überall war Bewegung, Erblühen, Lebensfreude und Optimismus. Das Gefühl, tatsächlich jemand zu sein und etwas verändern zu können teilten wohl die meisten und auch wir jungendlichen Schüler miteinander. Wir schlossen uns zu Interessengemeinschaften zusammen, gründeten eine kritische Schülerzeitung und schimpften gegen Autos von Mercedes.

Die Erinnerung an diese Energie lebt in mir als Sehnsucht fort. Die späteren Ernüchterungen, Einsichten und schwierigen Lernprozesse waren, jedenfalls teilweise, vielleicht auch deshalb so schmerzhaft, weil die Kontraste zwischen den verschiedenen Emotionen: Unfreiheit, Befreiung, Hoffnung und Dämpfung so stark waren.

Was für mich bleibt ist eine ständige Sehnsucht nach den ersten Jahren nach 1989, eine Sehnsucht nach dieser Energie und der wunderbaren jugendlichen Naivität, aber auch, bei allen Schwierigkeiten im „neuen Land“, eine tiefe Dankbarkeit den Menschen gegenüber, die diesen Umbruch möglich gemacht haben.

Wo ich heute ohne die Wendeereignisse wäre  bzw. wer ich in dieser sozialistischen Diktatur überhaupt hätte werden können, möchte ich wirklich nicht wissen.