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Frohe Weihnachten, Merry Christmas!

2009 foi um ano importante para sacramentar e sedimentar a reunificação alemã. Muito se falou sobre os 20 anos da queda do muro de Berlim e há aqueles que acham que esse foi o acontecimento mais importante do ano. Em minha humilde opinião, penso que as reflexões feitas sobre o tema foram e são válidas, mas a celebração dos 20 anos está bem longe de ter a importância da real queda do muro ocorrida em 89.

Duas décadas depois, infelizmente não há somente motivos para comemorar. Aproveito para postar novamente um link para uma reportagem que fala sobre os muros que ainda existem mundo afora (em inglês).

Bom, a festa de 20 anos da queda do muro já passou e o blog naturalmente diminuiu um pouco o ritmo de posts. Ainda há muito o que  escrever por aqui, por isso em 2010 volto com gás depois de uma pausinha de fim de ano. O trabalho continua  da mesma maneira: independente e cheio de paixão.

O Memórias do Muro deseja a todos um feliz Natal e agradece os comentários e visitas.

Abaixo um vídeo gravado no centro de Leipzig com artistas de rua que deram um brilho maior ao mercado natalino da cidade. O tema que gravei ao acaso não poderia ser mais apropriado para a época!

Feliz Natal, Frohe Weihnachten, Merry Chistmas!!!

Vai um pedaço de muro, aí?

Lembrança de onde passou o muro, na Bernauerstrasse.

Lembrança de onde passou o muro, na Bernauerstrasse.

O muro de Berlim caiu, mas algumas placas podem ser vistas no chão quando se caminha pela cidade, marcando a linha por onde o paredão um dia passou. Em determinados locais, chegamos até a encontrar restos originais do muro que se transformaram em monumentos e, como tal, não podem ser destruídos.

Visitando uma loja de souvenirs na capital quando familiares do Brasil vieram conhecer a Alemanha, pude tirar algumas fotinhos de uns artigos bizarros à venda para turistas: os restos do muro.

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Restos do muro:

Há estantes e estantes cheias de pedaços do paredão para todos os gostos e bolsos. Os mais caros são aqueles que vem com um certificado de autenticidade(!).

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souvenirs para turistas.

Agora, vem cá: quem é que compra isso? Tanta coisinha mais bacana para levar de recordação como canecas, bolsas, camisetas, adesivos, ursos feitos de diversos materiais e em vários tamanhos (o animal é símbolo de Berlim) e alguém  inventa de levar o tal muro? Além de ser uma escolha de gosto duvidoso, tenho cá comigo que os pedaços não são originais.Vai saber…

Felizmente, acho que não são muitos os turistas que pagam esse mico. Afinal, pelo que pude perceber, as prateleiras estão abarrotadas de restos de concreto pichado.

Pior do que isso, só mesmo mandar um cartão postal para a família com um resto do paredão junto!

"Oi, mãe. Berlim é o máximo! Olha só...". Foto de um cartão-postal, 2009

"Oi, mãe. Berlim é o máximo! Olha só...". Foto de um cartão-postal, 2009

Post similar: O depoimento de Sarina Sena no Mosaico de Memórias.

Atualização de 22 de outubro de 2009 >> Nesse link AQUI você pode confirmar as minhas suspeitas descritas lá em cima: muro de Berlim, pero no mucho.

Fonte: Le monde. Dica da Sarina Sena

Tiago de Aragão no Mosaico de Memórias

Tiago de Aragão mandou a sua memória pra cá e aqui vai ela:

Muro de Berlim e Pedro Bial. Ou seria: Pedro Bial e o Muro de Berlim. Seis aninhos.

As imagens que remonto dali se limitam a alguns flashs visuais (sim, eu acredito que existam outros flashes sensoriais). Mas sempre foi assim. Pedro Bial, postado em frente ao muro. Bela entonação de voz. Eu tinha outra imagem dele antes do BBB. Não que eu já não o encarasse como um fanfarrão. Foi a primeira notícia que recebi que parecia impactar o mundo.

A morte de Chacrinha eu também lembro, mas essa parecia impactar menos o cenário internacional (ou seja lá como eu chamava isso aos seis anos). Dali, 1989, minha outra memória televisiva foi o gol de Caniggia (passe de Maradona) que desclassificaria o Brasil da copa de 90. Ah, nesse momento eu tava na rua. Mas é curioso, me lembro perfeitamente, como se tivesse visto ao vivo.

Será que eu vi o Bial e o Muro de Berlim ao vivo? Será que eu vi mesmo em 1989? Peças pregadas por uma edição deslinear da memória.

Sarina Sena e os fragmentos do muro de Berlim

Eu já confidenciei aqui há alguns dias, que a queda do muro de Berlim e Pedro Bial estão absolutamente entrelaçados na minha memória infantil.  Curiosa que sou, gostaria muito de saber como  esse episódio está guardado nas lembranças de outras pessoas.

A jornalista, produtora de moda e minha amiga Sarina Sena, do blog Fashion Again, foi uma das primeiras a me incentivar e a comentar aqui. E-mail vai, e-mail vem, ela me confidenciou fragmentos de uma estória que achei bem interessante. Daí pedi que ela escrevesse um pouco mais sobre o tema e o resultado está aí embaixo, inaugurando aqui uma seção exclusiva chamada Mosaico de Memórias.

E você, o que lembra do episódio da queda do muro de Berlim? Onde estava e como se sentiu com a notícia? Mande um e-mail ou deixe a sua estória nos comentários que eu a publicarei aqui. Comentários não assinados serão desconsiderados.

Fragmentos do muro de Berlim Por Sarina Sena

Sarina Sena, jornalista e produtora de moda.

Sarina Sena, jornalista e produtora de moda.

Ver pela TV a queda do muro de Berlim foi algo que ficou gravado em minha memória. Eu era criança ainda, tinha nove anos, mas este fato está na mesma categoria da memória que guarda outros fatos históricos vistos pela telinha da TV, como a morte de Tancredo Neves, o estudante se jogando na frente do tanque na China e a explosão das Torres Gêmeas.

A imagem da alegria daquelas pessoas com marretas ajudando a destruir aquele muro que representou anos de privações, principalmente da liberdade, foi algo inesquecível. Em meio às matérias, sempre passavam umas entrevistas com pessoas que ficaram com as famílias divididas, assim como Berlim, por causa do muro. Ficava imaginando o fim da agonia daqueles que passaram tanto tempo incomunicáveis.

Nesta época, meu pai tinha uma locadora de vídeo. Com uma certa frequência, recebíamos a visita de representantes de distribuidoras de filmes com os seus catálogos, que eram, na verdade, pastas no estilo daquelas que a gente colecionava papel de carta com o impresso da capa e da sinopse de cada filme que estaria na locadora cerca de um mês depois de feito o pedido.

Pois bem, algo como um ano após a queda do muro de Berlim, um desses representantes tinha em seu catálogo um filme sobre este momento histórico que trazia (acreditem!) fragmentos do muro para quem alugasse a fita levar para casa como souvenir. Isso mesmo: alugue o filme e leve um pedaço de muro grátis!

Pena que não lembro nem o nome do filme e nem de qual distribuidora pertencia, mas lembro bem de ter achado um tanto absurdo aquela história e de ter duvidado da veracidade daqueles “fragmentos do muro de Berlim”.

Pedro Bial e o muro de Berlim: só na minha memória?

Pedro Bial em 1991. Fonte: Revista Istoé Gente

Pedro Bial em 1991. Fonte: Revista Istoé Gente

Em novembro de 1989 eu era uma garota de 11 anos (entreguei a minha idade!). Havia me mudado fazia pouco mais de dois anos para Natal e morria de saudades de Belém, da minha família, dos amiguinhos da escola, do sorvete de açaí com tapioca da Cairu numa esquina perto de casa.

Puxando a memória, lembro do episódio do muro de Berlim com uma imagem: Pedro Bial (sim, ele mesmo!) falava na TV direto do muro e dizia, emocionado, que aquele era um momento histórico. Se minhas lembranças não me trapaceiam, ele até estava em cima do muro (sem trocadilhos, por favor) e falava alto e forte por causa da gritaria da multidão ensandecida, celebrando ao seu redor.

Pesquisando na internet, no entanto, achei um vídeo da própria Globo, não com Pedro Bial, mas com o repórter Silio Boccanera falando sobre as mudanças na então Alemanha Oriental (VÍDEO AQUI). Me pergunto: será que só eu lembro do Pedro Bial na época do muro de Berlim?

Na minha memória infantil, foi ele o repórter intrépido que participou dessa cobertura. Infelizmente, não achei vídeos sobre esse momento “Bial”. Se alguém tiver ou achar algum link, por favor avise que eu coloco aqui!

Independente dessa confusão de memórias, deixo algumas perguntas a quem queira se manifestar: o que você lembra do episódio da queda do muro de Berlim? Onde estava, o que fazia, como se sentiu? Os relatos que chegarem até mim serão publicados no Memórias do Muro na categoria Mosaico de Memórias. Valendo!

ATUALIZAÇÃO de 06 de novembro de 2009: Um outro post sobre o assunto, onde o próprio Bial revela o mistério. CLICA AQUI.