Nasce o Muro

Restos do Muro, agora um monumento.

Restos do Muro, agora um monumento. Foto de 2009.

Está chegando a hora de comemorar a queda do muro de Berlim. Portanto acho interessante contextualizar um pouco no Memórias do Muro, como foi o processo de construção do maior símbolo da cortina de ferro e da divisão do mundo em duas ideologias: o capitalismo e o socialismo.

Acabada a Segunda Guerra Mundial em 1945 e com a derrota da Alemanha, o seu território passou a ser dividido em quatro zonas controladas por: Estados Unidos, Reino Unido, França e União Soviética. O território ocupado pelos soviéticos deu origem à República Democrática Alemã (RDA) em 1949.

A mesma divisão que ocorreu no macro-cosmos da Alemanha, aconteceu no micro-cosmos de Berlim. A Berlim do Oeste tinha as zonas francesa, americana e inglesa e a Berlim Oriental era a capital da RDA.

Até aproximadamente o fim dos anos 50, os cidadãos da Alemanha Oriental podiam viajar para a República Federal Alemã (RFA), mas não sem um visto. No entanto, com o constante êxodo de pessoas  para o Oeste, o regime socialista viu sua força ameaçada. Contrariando as expectativas, na madrugada de 12 para 13 de agosto de 1961, o governo da RDA pegou a todos de surpresa dando início à construção do muro de Berlim.

Soldado Conrad Schumann em fuga. Foto: Peter Leibling

Soldado Conrad Schumann em fuga. Foto: Peter Leibling

Esse vídeo abaixo é longo, mas vale a pena ser apreciado. Há trechos de filmes e muitas fotos da época da construção até a queda. Reparem nas pessoas atônitas olhando o muro ser erguido, as que se jogaram de janelas numa tentativa desesperada de fuga e outras que tentam cruzar as cercas de arame farpado e por pouco não deixam o couro cabeludo por lá.

E, claro, há uma das imagens mais conhecidas do período da Guerra Fria: a do soldado Conrad Schumann que escapa de última hora em frente às câmeras. A imagem de sua fuga imortalizada, virou uma escultura que pode ser encontrada em Berlim. Vejam o vídeo e sigam lendo o post.

Sempre que caminho por Berlim e vejo os restos do muro na Bernauerstrasse me sinto oprimida. Tento me transportar ao período em que aquele paredão dividiu famílias, sonhos e esperanças.

Para tentar compreender melhor o que isso representou para algumas pessoas, tente imaginar que parte de sua família vive na mesma cidade, mas com o muro,  você não pode ir facilmente visitá-la do outro lado.

Se vivesse na Berlim Ocidental, você podia viajar para o Leste socialista passando por controles sim, mas sendo liberado em seguida. Porém, fazer o caminho inverso era um verdadeiro périplo  para os que quisessem ir para o Oeste, mesmo que somente a passeio. Havia um processo de burocracias intermináveis e muitos vistos eram negados. Há quem diga hoje, que conseguir uma autorização dessas era algo praticamente impossível naquela época.

Conrad Schumman eternizado em estátua, Berlim. Foto: AP Photo/Maya Hitij

Conrad Schumman eternizado em estátua, Berlim. Foto: AP Photo/Maya Hitij

E é importante frisar que com o passar dos anos, o muro foi ficando cada vez mais sofisticado e não era apenas um “simples paredão”. Havia uma série de barreiras para os que porventura tentassem escapar para o outro lado. Aos que insistissem, a morte era a sentença mais comum.

Repito aqui o post que fiz logo no começo do blog. As animações feitas pela Deutsche Welle (english, español, deutsch), simulam a parafernália de segurança que havia por trás do muro e dão uma boa ideia do horror que era viver emparedado. Depois de saber um pouco mais dessa estória, fica mais fácil celebrar o dia 09 de novembro. Muros, nunca mais!

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One response to “Nasce o Muro

  1. Ainda bem que hoje é só um monumento importante para não esquecermos momentos absurdos da História da humanidade. Serve para refletirmos as relações de poder que impõe a separação de pessoas e questões como a intolerância X união pacífica. Boas reflexões, Ariane!

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