East Side Gallery

Atualização de 28/10/2009: veja aqui o depoimento exclusivo do artista português Kim Prisu, um dos primeiros a pintar na East Side Gallery.

Restam poucos pedaços originais do muro de Berlim. O maior e mais conhecido deles é a East Side Gallery, considerada a maior galeria de arte a ceu aberto do mundo.

Logo depois que as fronteiras se abriram, muitos artistas decidiram  colorir o cinza do paredão e fizeram pinturas do lado oriental do muro, localizado às margens do rio Spree.

Com a ação do tempo e até mesmo de vândalos, muitas obras originais se deterioraram. Algumas pinturas estavam pichadas e irreconhecíveis.

Nos últimos meses o paredão passou por uma restauração em virtude das celebrações dos 20 anos da queda do muro de Berlim.  Segundo informações oficiais, atualmente a galeria conta com cerca de 106 pinturas feitas por artistas do mundo inteiro.

O beijo camarada, comum nos encontros de líderes dos países socialistas. Foto: Régis Bossu/Sygma

O beijo camarada. Ato comum nos encontros de líderes dos países socialistas. Foto: Régis Bossu/Sygma

Uma das imagens mais famosas da galeria é (ou era?) a reprodução de um beijo entre o então presidente da RDA Erich Honecker e o seu camarada Leonid Brezhnev, líder da União Soviética. Há notícias de que nas restaurações, o ícone da East Side Gallery tenha sido apagado para ser restaurado posteriormente.

Abaixo um vídeo curtinho que mostra a galeria ao ar livre, também chamada de “Memorial Internacional pela Liberdade no muro de Berlim”.

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One response to “East Side Gallery

  1. “Metamorfose das existências ligadas num móbil indefinido”

    O Muro de Berlim ( “Berliner Mauer” em alemão) erigido um ano antes de eu nascer em 1961,
    Só sei que quando tinha para ai os meus 11 anos dizia “ que era mais fácil de ir a lua de que passar do outro lado do Muro de Berlim.
    E não é que em 1990, no serão de 23 de Junho o meu amigo e artista plástico Hervé Morlay dito VR, me bateu a porta do meu pequeno apartamento do “35\37 rue de Torcy em Paris 75018”, e me perguntou se queria ir a Berlim, que avia um projecto de pintar no muro na parte de Berlim Oriental (RDA), o( Hervé Morlay) VR ia alugar uma carinha de caixa fechada para 15 dias, 12 horas depois na manha seguinte estávamos a caminho de Berlim. Passamos uma primeira vez a fronteira França Alemanha, eu até tinha o meu passaporte caducado mas só me apercebi depois, nesse tempo ainda nuca tinha tido um bilhete de identidade, só passaporte (e no 1º onde tive com a minha mãe, aos nove messes para ir para a França era falso) e uma “Carte de Sejour” (identificação para os estrangeiros em França), depois atravessamos a Alemanha ocidental, e tivemos de novo de passar outra fronteira, ai no silencio, mas tudo correu bem, é dizer que a situação já estava no caminho da abertura, e entramos numa auto-estrada toda cercada por uma grande rede com arame farpado, miradouros com guardas armado, dizíamos um para o outro e se a um deles lhe passasse pela cabeça de nos dar um tiro… e antes de entrar em Berlim mais uma fronteira, era para mim muito estranho passar duas fronteiras no mesmo país, fomos a ter a casa de um artista Alemão “A. Paulun” num Bairro perto do muro no nº 2 da rua “Wrangel” em frente a igreja “St. Thomas” …
    Fui também ai perto de “St. Thomas” que pela 1º vez atravessei o Muro no sitio ao que me contaram tinham morrido o maior numero de pessoas os atiradores estavam colocados as janelas dos prédios do lado oriental, hoje encontra se lá um jardim. Na 1ª semana existia nessa grande brecha nas duas paredes casotas de madeira com guardas que faziam ofício de fronteira, precisava se ainda de mostrar o Passaporte, mas já com muita a descontracção, na segunda semana estavam no chão, isso era nos primeiros dias de Julho 1990. Sentia-se a liberdade, não sei como explicar, em França um dia um Português que teve presente em Lisboa (e que tinha na sua pequena oficina de tipografia lá em Paris uma foto com ele e os soldados da revolução em cima de um caro de combate) no 25 de Abril 1974, disse me que naqueles meses em Lisboa sentia-se a liberdade era como se a pudesse mos tocar com os dedos da mão, senti o mesmo, por isso lembre-me dessas palavras e chamei o 1º painel “O povo unido nunca será vencido” em recordação.
    Eu, o meu amigo Hervé Morlay (VR) e o A. Paulum obtemos um encontro com a pessoa que se ocupava do projecto “East Side Gallery”, já na segunda semana, entre tanto andamos por lá a pintar entre os does muros e nos miradouros, o fim só nos ficava 4 dias antes de voltar para paris para entregar a carinha, foi assim que tive de fazer a 1ª pintura (de 1990) em 3 dias, com muita energia. A 1ª vez que tivemos em frente de esse muro do lado oriental na avenida “Muhlenstrasse” , fomos ver se havia qualquer graffiti, nem um. Aquela parede chamava a cor para esquecer que nesse tronco tinham tirado a vida a 9 pessoas… Ainda a muito para contar sobre essa 1ª vez que fui a Berlim mas isso dava provavelmente um filme.
    Desta vez em fim de 2008 fui pela 1ª vez contactado, para refazer a minha pintura. Fiz um contrato com eles, como todos os outros pintores que vão refazer a cópia da pintura de eles, os mesmos que pintaram sobre esses 1300m, são 118 artistas para 105 pinturas, 21 pais representados, convertendo o lado Este (oriental) do Muro na maior galeria do mundo ao ar livre.
    O beijo entre o líder soviético e o seu correligionário alemão oriental é peça mais célebre, e a que o artista Dimitrij Vrubel pede 15mile €, mas por agora eles não querem lhe dar essa soma, dizem que ‘e para todos igual, mas como é a cópia de uma foto, eles pensa a fazer lá na mesma, ainda não esta bem definido como. As últimas novas de Berlim, ele executou-a, pedindo desculpa a cidade de Berlim e oferecendo o cachet a uma instituição caritativa.
    Pagaram nos a viagem, para mim táxi avião, o hotel, fui 15 dias mas podia lá estar um mês, enviaram me logo 1000 € a assinatura do contrato para comer (e come se mais barato que em Portugal, menos o café que é a 1,5€ gastava por refeição uma media de 7€ e ficava bem servido e sempre com um grande sorriso) e outros gastos sem recibo, e como pagamento do trabalho mais 3000 €, eles disseram que é uma média de 5000€ por artista mais material pintura pincéis andaimes, ajudantes por conta de eles.
    Comecei a pintar na terça-feira 26 de Maio, num dia de trovoada, e foi como se tivesse recebido dela uma energia positiva que me meteu fora de mim, mas antes mesmo de ir o entusiasmo era já enorme, como por vezes chovia entre as aberturas repletas de luz solar, fiz o conhecimento de Karin Kaper e Dirk Szuszies que estão a fazer um filme sobre este evento e que falavam Francês, (e que fizeram o filme “RESIST”! um filme sobre o “Living Theatre” que por acaso até me ofereceram, quando lhe disse que era fã do “Living Theatre”, e que também tinha algumas ligação com o Teatro “) simpatizei logo com a Karin Kaper, que me deu a conhecer sítios culturais, onde pude ver uma mostra de cinema francês, vi varias bandas de musica, algumas muito boas, e teatro de um grupo da Colômbia (Red Juvenil) em língua espanhola, vi exposições, a entrada nos sítios alternativos, dá se o que se quer ou o que se pode, 1€ em media dizem eles, (assim mesmo o povo português podia ter mais cultura contemporânea e com qualidade), as bebidas eram a 1,50€, mas em garrafas de meio litro. Assim todas as noites sai ver um evento cultural e sempre de boa qualidade, há naquele bairro do outro lado do rio nas costas da “East-Side Gallery” muitos ateliês de artistas, pelos quais lutam por que os políticos e os empreiteiros queriam se apoderar para fazer um bairro mais snob e para turistas, é que a “East-Side Gallery” encontra-se mesmo no centro de Berlim.
    Só andei de caro o 1º e ultimo dia, táxi, do aeroporto até ao hotel, e do hotel para o aeroporto, o resto das minhas Andanças foram sempre a pé (já tinha muitas vezes dores mas estava com tanta energia que nada me parava, calculei que devo ter dormido uma media de 5 horas diárias todo o tempo que por lá passei e ainda hoje estou nessa bela energia), e duas vezes de “Uban” (metro), uma no 1º domingo que por lá passei (31 de Maio 2009), para ir a ver o carnaval organizado pela cidade e a comunidade Brasileira, neste momento do ano e não 40 dias antes da pascoa, é que eles lá no norte da Alemanha, agora tem dias muito grandes, (como nos, mas ainda maiores) as 3h50 quando por vezes ia para o hotel depois das minhas caminhadas nocturnas já o dia estava a nascer, disseram me que o inverno é muito escuro e duro…. Nesse carnaval falei em português com brasileiros e com um Alemão que estava casado com uma brasileira, e falei com sul-americanos, só lá encontrei does portugueses, nesse dia aconteceu uma coisa muito curiosa e simples, um alemão num momento de chuva, onde nos abrigamos por baixo da linha do Uban( nesse sitio o metro era por fora ao ar livre) estava a fumar e ele me pediu se lhe podia dar um cigarro, estendi lhe o maço e ele ia me dar uma moeda, que recusei com grande sorriso, depois vi que nunca cravavam um cigarro, é ao que me verbalizaram, a cidade com mais desempregados, 20% da população de Berlim, mas dizem que o estado ajuda os , não a salário mínimo, os que ganham menos anda por volta dos 4\5€ a hora. Com isso podem comer um prato bom fora de casa.
    Mas voltamos ao muro, estive em frente, de novo no mesmo lugar exacto, a 1ª vez não sabia o que havia por detrás, o escadote não chegava para eu ver do outro lado, desta vez existia um pedaço que foi desviado para o lado, o terreno foi comprado pela companhia O2, que construiu em frente um óvni, (é a primeira impressão que tive quando vi aquela arquitectura), um pavilhão para espectáculo e eventos desportivos, compro também uma passagem do outro lado da estrada, para que os turistas possam vir de barco, detrás do tronco de muro que pintei havia um rio, sitio muito agradável para se passear.
    O muro já não me impressionava como dá 1ª vez, já não tinha para mim o mesmo imaginário…
    Mas comecei como se tivesse de fazer a cópia do de 1990, mas não me sentia bem, comecei a pintar deixando a emoção do momento sair, interrompido pelos turistas as entrevistas de jornalistas, mas a um momento esqueço tudo o que me rodeia, fico só em frente do muro, e começo a pintar sem me preocupar, um fundo abstracto, cheio de escritos em varias línguas, que cada dia pintava com mais energia, alegria, quando comecei a desenhar ,as primeiras cabeças vinham mais suaves, a minha visão desse povo tinha mudado, é que os filme e a historia recente do século 20, e a escola na França, nos criaram um imaginário no qual a Alemanha era um inimigo de 2 guerras mondais, depois a guerra fria, mas desta vez a ideia desse povo tinha mudado em mim, das duas vezes que lá vivi, 33 dias em tudo, me levaram a uma outra visão desse povo e dos outros que misturado coabitam com eles, nuca mesmo nunca das 2 vez senti agressividade, andei sempre por todo lado e por vezes houve sítios que se fosse em Lisboa ou Paris passava ao lado, vi muitas mulheres a passear só, então que a cidade me pareceu menos iluminada, de que Lisboa ou Paris, como comer fora e beber não é muito dispendioso a sempre muitas individualidades na rua.
    Quando chegou Jörg Weber um dos organizadores e com a responsabilidade dos artistas e das obras, ao qual comecei a explicar em Francês e com o meu pouco de Inglês mas ele não compreendia tudo, eu nada de Alemão, mas com a ajuda da senhora Karin Kaper (Co. realizadora do filme que se está a fazer sobre o este evento) e que falava francês, explicamos, e Jörg Weber e outros responsáveis da “East Side Gallery”, comecei lhe a falar de uma filosofia e de um estado de espírito que tinha em Portugal com o grupo dos Inteiros, o “Impensamental”, e que já estava a “Impensamentar” esta nova pintura a partir da memoria da sensação e do desenho de 1990 na numa emoção e sensibilidade do ritmo do vivido de hoje e que era como uma metamorfose do pensamento interior que se mentalizava numa nova obra, gostaram da explicação, entenderam como era que eu trabalhava, ele estava a gostar da energia da minha nova representação, e disse me que por ele podia continuar, mas estavam com medo, é que havia também a aprovação da responsável da câmara, e que corria o risco de não ser pago, mas eu respondi que prendia esse risco, a partir de ai foram 9 a 12 horas diárias a pintar, e ainda a sair a noite ver eventos culturais, ao fim ele me disseram que iam defender a minha obra, e que era obra e atitude de grande artista, o Dirk Szuszies num jantar em casa de ele, que eu tinha tido uma atitude muito revolucionária, anarquista, eu retruquei, “não, só uma atitude de Inteiro”.
    Dei lhe o nome a está nova obra “Metamorfose das existências ligadas num móbil indefinido”
    Vim de lá muito feliz, a inauguração vai começar a 6\7 de Novembro até dia 9 de Novembro dia no qual faz 20 anos da queda do muro. E como disse Jörg Weber,” não nos compreendemos bem, mas gracejamos muito com a tua pessoa e partilhamos uma grande e bela energia.
    Sentes que foi um povo que muito sofreu, mas encaram a vida de uma maneira muito humilde, e com muita energia objectiva. Conversei com gentes que tinham vivido dos does lados, e dava a impressão que era os do lado dito ocidental que estavam em prisão, contaram me que não avia campo em Berlim ocidental e que para os meninos saberem que animal dava o leite até tinham uma vaca no Jardim zoológico, os do outro lado diziam que não tinham a liberdade de circulação mas que o povo tinha cor na cabeça e que eram muito mais solidários entre eles.
    E para concluir, o meu painel foi aceito,
    Kim prisu Berlim Maio Junho 2009,

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