Eu gosto desse vídeo e quero compartilhar com vocês. Às vezes a música é incômoda – assim como as imagens. Tente imaginar as circunstâncias nesses diferentes anos. Essa colagem nos transporta para lá.
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I like this video and I want to share it with you. The music is sometimes annoying – as the images themselves. Try to imagine the circumstances in those different years. This collage brings us there.
A lista com os indicados ao Oscar 2010 saiu hoje e entre os curtas documentários, um chamou a minha atenção pelo título: a produção teuto-polaca (ou será alemã-polonesa?) Rabbits à la Berlin dirigido por Bartek Konopka.
Com um pouco de pesquisa na internet, descobri que o filme tem a ver com o muro de Berlim. E para quem não sabe, a palavra inglesa rabbits siginifica coelhos. Intuitivamente sinto você fazer a mesma pergunta que me fiz: mas e aí, qual a relação disso tudo? Olha uma descrição do filme:
“Esse documentário é uma fascinante lição de História contada através dos olhos de animais. É a estória desconhecida de milhares de coelhos selvagens que viviam na chamada Zona da Morte do muro de Berlim. Durante 28 anos, a linha de terra que ficava entre as duas muralhas era o seu território isolado mais seguro. Gramado, nenhum predador, guardas para assegurar que ninguém iria perturbar os bichinhos. Mas infelizmente, um dia, o muro caiu… O destino dos coelhos serve de pretexto para um conto alegórico de um sistema totalitário.” (Fonte em inglês aqui)
Uma pena eu não ter achado o trailer do filme, mas lá embaixo você pode ver uma entrevista com o diretor (inglês com legendas em francês). Mais um filme que entra para a minha lista dos “tem que ver”!
Atualização de 4 de fevereiro: se você mora na Alemanha ou na França, pode assistir ao filme no canal ARTE em várias datas do mês de fevereiro: dia 7 às 00:35; 17 às 05:00 e 20 às 12:05.
The list with the 2010 Oscar nominees was released today and among the documentary shorts, one catched my attention: the german-polish production Rabbit à la Berlin, directed by Bartek Konopka.
I made a little research and found out that the film, somehow, talks about the Berlin Wall. So, what’s the relationship of rabbits and the wall? Have a look at the film description:
“This documentary is a fascinating history lesson told through the eyes of animals. The unknown story of the thousands of wild rabbits who lived in the Death Zone of the Berlin Wall. For 28 years, the strip of earth enclosed between the two walls was their safest of enclaves. Full of grass, no predators, guards to ensure that no one disturbed them. But sadly, one day, the wall fell…The rabbits’ fate serves as a guise for an allegorical tale of a totalitarian system.” (Synopsis from here)
I didn’t find its trailer, but below you can watch a short interview with the director. It’s certainly one more film in my “must see” list!
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Update from February 4th – if you live in Germany or France, you can watch the movie in ARTE channel along February: on 7th at 00:35; On 17th at 05:00; On 20th at 12:05.
Note: If you click in the photos, you’ll go to the direct link of them.
Se você passou por aqui antes, já deve ter visto umas fotos incríveis tiradas na RDA. Vamos ver mais algumas imagens bacanas de JM van Elk? Dica: se clicar na foto, chegará ao link direto com as explicações do próprio fotógrafo.
Karl Max Alle em Berlim Oriental alguns dias antes da queda do muro.
Aglomeração na Alexanderplatz, Berlim Oriental, no maior protesto realizado na RDA alguns dias antes da queda do muro.
Potsdamerplatz e o muro em 1989.
Em 1990, um agradecimento camarada a Gorbachev.
Bandeiras da RDA sendo vendidas como meros souvenirs em 1990.
Trabant no bairro de Kreuzberg (Berlim) depois da queda do muro.
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Se você chegou no Memórias do Muro agora, aqui estão o primeiro e o segundo posts com outras imagens bem interessantes. E para quem não sabe a importância de um Trabant na RDA, recomendo a leitura desse post.
As soon as I can watch Comrade Couture – Ein Traum in Erdbeerfolie (do’nt know how, don’t know where, don’t know when), I’ll write my opinion here. The trailer makes you curious, doesn’t it? In German with English subtitles.
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Assim que conseguir ver Comrade Couture – Ein Traum in Erdbeerfolie (não sei como, não sei onde, não sei quando), escrevo uma opinião aqui. Vai dizer que o trailer aí embaixo não te deixa morrendo de curiosidade? Legendas em inglês.
Foi uma grata surpresa encontrar um link do N.Y. Times indicando os 31 lugares para ir em 2010. E adivinha quem aparece no número 10? Leipzig, a segunda maior cidade da Alemanha Oriental e cenário importante no movimento que culminaria com a reunificação alemã.
Recomendo uma olhadinha no meu flickr aí do lado direito, onde você pode ver algumas fotos que eu fiz na cidade. E no blog inteiro há muitos posts dedicados a ela. Use a tag “Leipzig” e vá em frente.
It was a nice surprise to find a link of the N.Y. Times listing the 31 places to visit in 2010. And guess what city is there as number 10? Leipzig, the second biggest city during the GDR and important city in the movement which led to the German reunion.
Have a look in my flickr at the right side where you can find some photos I made in the city. And all over the blog you’ll find many posts talking about it. Use the tag “Leipzig” and go ahead. But I may tell you that some posts are only in portuguese. Soon a translator will be displayed here.
Registros de uma época em "Behauptung des Raums". Foto: divulgação
Há uma semana, assisti a um documentário interessante que me mostrou uma face da contracultura na RDA, ainda desconhecida pra mim. Behauptung des Raums do diretor Claus Löser (co-direção de Jakobine Motz), mostra jovens artistas que queriam produzir sua arte de maneira independente dentro da ditadura socialista da Alemanha Oriental.
Até aí, nada de muito novo. Porém, o forte do filme é a compilação de um rico material de arquivo que nos transporta à atmosfera de inquietude artística em plena RDA. Com a potência trazida por registros subjetivos, o filme é antes de tudo, um documento de uma época.
O próprio título já mostra em que caminho vai o filme. A tradução seria algo como “afirmação do espaço”. A mensagem central fica clara até mesmo para alguém como eu ou você, estrangeiros se aventurando pela História alheia: artistas criam espaços (físicos e ideológicos) para expor sua arte. Cavam um lugar que lhes é de direito. Apesar das dificuldades. E até usam as proibições do Estado como mola propulsora para suas criações.
Costurado com depoimentos atuais e imagens em super-8 ou VHS coletadas na RDA, o documentário nos mostra como vários artistas de Berlim Oriental, Leipzig e Karlmaxstadt (hoje Chemnitz) se reuniram, produziram sua arte e se posicionaram contra o establishment. Havia sempre alguém registrando as exposições, performances e discursos, sem saber que isso no futuro renderia uma reflexão sobre aquele país que já não mais existe.
Artistas da RDA a pleno vapor. Foto: divulgação
Logo de cara, me chamou a atenção que os personagens fossem praticamente só homens. Tá, teve uma mulher que relatou a sua experiência, mas convenhamos que 10 minutos em um filme que dura 80, não é lá uma grande representação.
Por sorte, fui a uma sessão com a presença dos realizadores e após o filme, houve um pequeno debate. O diretor justificou a pouca presença feminina dizendo que muitas artistas da época não documentaram suas ações em foto ou vídeo. Além do que, ele já tinha contato com os artistas que aparecem no filme e colocar mulheres que não tivessem a ver com esse movimento só para ter mais representação feminina, não lhe pareceu uma boa ideia.
Saí do debate bastante irritada porque a moça que deveria ser mediadora entre diretores e público, quis ser provocadora (nada contra) e começou a questionar de maneira bem arrogante, que tipo de informação concreta o filme deixaria para as futuras gerações que não vivenciaram a RDA. Resposta do diretor: o objetivo do filme não é ser didático. Se alguém precisar de informações históricas, vai encontrar vasto material específico sobre essa época em diversas outras fontes.
Concordo com isso. A maneira espontânea com que os materias de arquivo foram gravados não é informativa, mas provoca emoções em quem assiste e transporta a plateia intuitivamente para aquela época. Independente se o espectador é PhD em História da Alemanha Oriental ou se não sabe nada sobre o assunto. Filmes também são feitos para suscitar emoções e não apenas para informar.
Apesar de o tema ser interessante, confesso que ao invés de 80, o documentário poderia ter apenas uns 60 minutos. Teria dado o recado sem cansar. Mas isso não chega a comprometer a minha avaliação final. Gostei muito de ter viajado no tempo com a História sendo contada e documentada por quem a viveu.
Multidão pede o fim da Stasi em Berlim, 15 de Janeiro de 1990. Fonte: Bundesarchiv
Há exatos 20 anos, centenas de cidadãos de Berlim Oriental se reuniram em protesto diante do prédio central da STASI (a polícia secreta da RDA). Todos faziam pressão para dar fim ao serviço de espionagem e pediam a abertura dos arquivos secretos.
Aglomerados cada vez em maior número, os cidadãos furiosos acabaram invadindo o prédio horas depois, destruindo equipamentos e atirando documentos pelas janelas.
Contextualizando: há 20 anos o muro tinha caído, mas a Alemanha ainda estava dividida.
2009 foi um ano importante para sacramentar e sedimentar a reunificação alemã. Muito se falou sobre os 20 anos da queda do muro de Berlim e há aqueles que acham que esse foi o acontecimento mais importante do ano. Em minha humilde opinião, penso que as reflexões feitas sobre o tema foram e são válidas, mas a celebração dos 20 anos está bem longe de ter a importância da real queda do muro ocorrida em 89.
Bom, a festa de 20 anos da queda do muro já passou e o blog naturalmente diminuiu um pouco o ritmo de posts. Ainda há muito o que escrever por aqui, por isso em 2010 volto com gás depois de uma pausinha de fim de ano. O trabalho continua da mesma maneira: independente e cheio de paixão.
O Memórias do Muro deseja a todos um feliz Natal e agradece os comentários e visitas.
Abaixo um vídeo gravado no centro de Leipzig com artistas de rua que deram um brilho maior ao mercado natalino da cidade. O tema que gravei ao acaso não poderia ser mais apropriado para a época!
Note: If you click in the photos you’ll go to the direct link of them.
Como havia falado no post anterior, aqui vão mais algumas fotos do flickr de JM van Elk. Se clicar nas fotos, você vai direto pro link específico com as explicações do próprio autor (em inglês).
Portão de Brandemburgo visto do ponto de vista de quem estava na Berlim Oriental. 1988
Portão de Brandemburgo visto do ponto de vista de quem estava na Berlim Ocidental. 1988
Posto de controle de fronteira Checkpoint Charlie em 1989.
Os destroços do Checkpoint Charlie após a queda do muro em 1990.
Eu adoro imagens. Acho que elas podem traduzir situações muito melhor do que palavras bonitas e bem encadeadas (tese já difundida naquele dito popular “uma imagem vale mais que mil palavras”).
Fazendo minhas pesquisas corriqueiras, me deparo com uma preciosidade, uma relíquia de verdade. Assim, facilmente ao meu alcance no flickr. Imediatamente comentei e parabenizei o autor das imagens e pedi para usar algumas delas aqui.
Felizmente ele me autorizou e nos próximos dias os leitores do Memórias do Muro vão poder ver e sentir um pouco da Berlim dividida, do país comunista acinzentado e dos momentos corriqueiros tão bem guardados em belas imagens!
As fotos são de Berlim Ocidental e Berlim Oriental no período entre 1988 e 1990. Clicando nelas, você poderá ir direto ao link correspondente no flickr de JM van Elk.
Carimbos da RDA no passaporte. / GDR Stamps in the passport.
Criança passando pelo muro da Berlim Oriental para a Berlim Ocidental em 1990. / A kid stepping from East to West Berlin in 1990.
Praça Lênin, Berlim Oriental, 1989. / Leninplatz, East Berlin.
O Leste encontra o Oeste. Berlim Oriental, 1988. East meets West. East Berlin.
I just found a short video showing the importance of Leipzig in the changes of East Germany in 1989.
It’s a little bit more about the same (who came here before, already has read how the city started the pacific revolution with the so called Montagsdemonstrationen or the Monday Demos). But it is interesting to see how they compared some images from that period with another ones from nowadays.
Fui comprar comida um dia desses e me peguei pensando: como será que eram os supermercados na RDA? Não acho difícil imaginar, já que vivi em Cuba por dois anos e posso crer que havia algo de similar no sistema de compras rotineiras na Alemanha Oriental.
O que é público e notório: variedade de produtos não costuma ser o forte de sistemas socialistas. Assim, não é raro encontrar pessoas da RDA falando sobre o êxtase que foi entrar em supermercados do Oeste depois da queda do muro. A exuberância de embalagens e a grande oferta de mercadorias deve ter deixado muita gente eufórica e confusa.
Nesses dias, vi na TV uma senhora da Alemanha oriental falando que ao entrar pela primeira vez em Berlim ocidental, ficou encantada e ao mesmo tempo chocada com as muitas cores da cidade e das lojas. Cansada, preferiu voltar para o seu leste acinzentado e monocromático para descansar um pouco os olhos e se acostumar com o admirável mundo novo que se descortinava diante de suas retinas.
Laranjas? Talvez no natal.
Conversando com pessoas aqui, algumas disparam: laranjas no dia-a-dia? Nem pensar. Frutas tropicais eram artigos de luxo que deveriam chegar só em época de Natal – e se viessem em quantidade suficiente para todos. O mesmo acontecia com as bananas. E outros tantos produtos.
Não digo aqui que as pessoas passavam fome ou não podiam comprar roupas e outros artigos de primeira necessidade na RDA. Isso não. Porém havia uma ordem de como as coisas funcionavam e todos se acostumaram ao fato de alguns produtos só aparecerem de tempos em tempos.
O muro cai, as fronteiras se abrem e minha imaginação corre longe: pela simples curiosidade, muita gente deve ter corrido avidamente para ver e experimentar diversas mercadorias jamais oferecidas antes. Produtos tão normais que atualmente encontramos aos montes nas prateleiras dos supermercados.
Passada a euforia dos primeiros anos de mudança, o que algumas pessoas comentam, sobretudo os mais velhos, é que comprar coisas hoje se tornou uma atividade corriqueira, sem maiores emoções. Antes havia uma certa felicidade em se conseguir algo, talvez pela dificuldade em obter determinados produtos.
Reparem no comercial singelo de um dos grandes supermercados da época, o Konsum, que existe até hoje na região da Saxônia. No final, o locutor anuncia: “O (supermercado) Konsum realiza os seus desejos de natal”. Então tá!
(tradução livre de trecho da canção do Sandmann na RDA)
Há 50 anos quando soa essa música nos televisores alemães, é chegada a hora de ir domir. Na verdade, o personagem Sandmann já existe desde 1816 quando figurou em um livro do autor alemão E.T.A. Hoffmann. Mas o homenzinho da animação stop motion passou a existir na televisão há exatas 5 décadas. E tudo começou na RDA.
Sandmann no seu aniversário de 25 anos. Fonte: Arquivo Federal Alemão
A tradição diz que as crianças só vão para a cama depois de verem o Sandmann na TV dando boa noite a todos. No final de cada episódio, o bonequinho barbudo traz consigo uma areia fina e a espalha para as crianças. A areinha tem o poder de entregar os pequenos ao mundo dos sonhos.
Daí o nome Sand=areia; Mann=homem.
Em 59 o Sandmann estreou na RDA e apenas 3 anos depois, foi lançada a versão ocidental do bonequinho: o Sandmännchen. Durante 30 anos esses dois “homenzinhos da areia” deram boa noite às crianças da RDA e da RFA, respectivamente.
Com a reunificação das Alemanhas, houve muitos pedidos de que o Sandmann da Alemanha Oriental permanecesse como o oficial. E foi o que aconteceu. Ainda que os episódios sejam atuais, as crianças alemãs continuam a receber o boa noite do mesmo modelo do boneco acompanhado da mesma musiquinha da época da RDA.
Independente de ser do Oeste ou Leste, qualquer alemão que foi criança a partir do início da década de 60 vai sempre lembrar das historinhas e do bonequinho como parte das suas fantasias de infância.
Nesse dia 22 de novembro de 2009, a TV daqui vai ter uma programação especial sobre esse personagem que pertence a Alemanha, mas não deixa de ser parte da herança da RDA. Eu que nunca assisti um episódio do Sandmann antes, hoje vou querer receber a areinha mágica para dormir.
E para vocês, dois vídeos: o primeiro traz o trecho de um episódio da época da RDA e o segundo mostra o personagem como era no oeste alemão. Boa noite!